Chapada: Casal de ambientalistas sofre ataque armado em área sob disputa na Serra da Chapadinha

  • 05/05/2026

Chapada: Casal de ambientalistas sofre ataque armado em área sob disputa na Serra da Chapadinha

Um casal de ambientalistas viveu momentos de terror na madrugada entre quinta-feira (30) e sexta-feira (1º), quando a pousada onde estavam foi invadida por criminosos armados no coração da Serra da Chapadinha, no município de Itaetê. A ação violenta teve como alvo direto Alcione Correa e Marcos Fantini, conhecidos pela atuação firme na defesa ambiental da região, marcada por disputas envolvendo interesses econômicos, grilagem de terras e a proposta de criação de uma unidade de conservação em uma área considerada estratégica para a segurança hídrica do estado.


Sob tiros e ameaças, o grupo cercou a Pousada Toca do Lobo e forçou o casal a sair do quarto. “Nós não sabemos o horário exato, foi na madrugada de quinta para sexta, estávamos sozinhos na pousada. Chegaram e começaram a falar lá fora para gente sair, começaram a atirar com espingardas, metendo bala para cima, aí jogaram gasolina na porta do nosso quarto e na janela e vimos a luz do fogo, parecia uma tocha ou um maçarico. Nós vimos pela janela, eram de seis a sete pessoas, todos de balaclava e fortemente armados. Tinham submetralhadoras, rifles, armamento pesado…”, relatou Alcione.

Após serem rendidos e jogados ao chão, os ambientalistas assistiram à destruição de parte da estrutura da pousada, que também funciona como posto avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Equipamentos foram levados ou danificados, incluindo computadores, HDs, celulares, rádios e até uma arma legalizada mantida na propriedade. O sistema de energia solar que abastecia o local foi completamente inutilizado, com destruição de placas, baterias e disjuntores, além de armadilhas fotográficas usadas para monitoramento da fauna, o que pode ter sido uma tentativa de eliminar provas da ação. Parte dos equipamentos ainda foi queimada no próprio local.

Intimidação ligada a interesses na região
Durante o ataque, os criminosos indicaram motivação ligada ao conflito ambiental. “E começaram a falar que era por causa da gente que a mineradora ainda não tinha entrado e que nós estávamos atrapalhando o progresso da Chapadinha”, contou Alcione. As ameaças foram constantes e explícitas. “Arma na cabeça, arma na boca, ameaçaram fazer marca de ferro na gente… Não sei como não mataram a gente”.

A ação durou cerca de uma a duas horas e terminou com o casal isolado, sem comunicação, após terem a internet cortada e todos os meios de contato destruídos. Com receio de uma nova emboscada na única estrada de acesso, eles aguardaram o amanhecer e deixaram o local a pé por trilhas da região.

O caso foi comunicado à Secretaria de Segurança Pública da Bahia, e a investigação ficará a cargo da Polícia Civil. O Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado da Bahia também foram acionados diante da gravidade do atentado

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