'Estamos passando fome': moradores de São Tomé de Paripe cobram indenizações após contaminação de praia

  • 03/11/2026
(Foto: Reprodução)
Moradores de São Tomé de Paripe protestam contra contaminação de praia em Salvador Moradores, pescadores e marisqueiros de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, fizeram uma manifestação na manhã desta terça-feira (3) para cobrar o pagamento de indenizações prometidas às famílias afetadas pela contaminação da praia da região. O protesto aconteceu nas proximidades da Base Naval e bloqueou a passagem de ônibus, carros e motocicletas. O trânsito já foi normalizado. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Durante a manifestação, moradores relataram dificuldades financeiras e cobraram respostas das empresas envolvidas no desastre ambiental. Segundo a comunidade, cerca de 950 pessoas foram impactadas pela contaminação, que comprometeu atividades como a pesca, a mariscagem e o comércio de alimentos e bebidas na faixa de areia. "Estamos pedindo justiça, porque são muitas pessoas passando fome, miséria", desabafou a marisqueira Elenita dos Santos. Moradores de São Tomé de Paripe cobram indenizações após contaminação de praia Reprodução/TV Bahia Em setembro, representantes de órgãos estaduais e federais, entre eles o Ministério Público da Bahia (MP-BA) e o Ministério Público Federal (MPF), participaram de uma reunião com a Gerdau, uma das empresas envolvidas no caso. Na ocasião, foi discutida a elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com previsão de pagamento de valores aos moradores prejudicados. Entretanto, durante o protesto desta terça, os manifestantes afirmaram que nenhum dinheiro foi depositado até o momento. A falta de renda tem afetado diretamente famílias que dependem do mar para sobreviver. "Muitos dependem da faixa de areia para trabalhar, levar seu sustento, complementar sua renda. São pescadores, marisqueiras, pais e mães de família que dependem da faixa de areia para comercializar", disse a técnica de enfermagem Daniela Vasconcelos. A situação também prejudicou comerciantes que trabalhavam na praia. A barraqueira Railda da Paz contou que perdeu equipamentos durante o período em que ficou sem trabalhar. "Estou cheia de boletos, triste. Minhas coisas da barraca acabaram. Cadeiras ressecaram, sombreiros ficaram todos acabados por causa do tempo parado". Moradores de São Tomé de Paripe cobram indenizações por contaminação de praia Reprodução/TV Bahia A barraqueira Vanúbia Lima também relatou o acúmulo de dívidas e disse que tem evitado montar sua barraca para não expor crianças à área afetada. "Estou cheia de dívida. Meus cartões já bloquearam, porque não tenho como pagar. Estou sem trabalhar na praia, tudo parado. Algumas pessoas vêm para a praia, mas eu não quero armar minha barraca por causa das crianças, para não prejudicar", disse. O mergulhador Daniel dos Santos afirmou que a comunidade continua sem respostas sobre a recuperação da praia. "Estamos sofrendo, barraqueiros, marisqueiros, pescadores... Ninguém está conseguindo trabalhar. Contaminaram nossa praia, estragaram o nosso lar e até agora não resolveram. Não descontaminaram nossa praia ainda", contou. A marisqueira Elenita dos Santos também criticou a assistência oferecida às famílias. Segundo ela, a distribuição de cestas básicas não é suficiente para garantir o sustento dos moradores. "Passaram cestas básicas para a gente. São 10 kg de arroz, 2 kg de feijão, café não vem, duas latas de sardinha e um quilo de macarrão. Me diga se isso dá para uma pessoa que tem cinco ou seis filhos? Quem mora de aluguel? Como estamos vivendo? Eles estão com os olhos fechados, nem aí para a gente", desabafou. Relembre o caso Manchas azuis e amarelas seguem na praia de São Tomé de Paripe. Arquivo pessoal A contaminação da praia de São Tomé de Paripe envolve as empresas Gerdau e Intermarítima e começou a ser investigada após um episódio de vazamento de substâncias químicas, em fevereiro deste ano. Durante uma operação de transporte de materiais, foram identificados cobre e nitrato amoniacal em estruturas de drenagem do terminal marítimo da região. A situação provocou impactos ambientais, incluindo a morte de animais marinhos, e prejudicou diretamente a população que depende da pesca e da mariscagem para sobreviver. Análises realizadas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) confirmaram a presença de substâncias contaminantes. Diante do cenário, atividades no local foram interditadas. O caso também levantou preocupações sobre possíveis impactos no lençol freático e riscos à saúde dos moradores. Uma busca ativa realizada por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), identificou 45 pessoas com sintomas potencialmente relacionados à contaminação. Os casos estão em análise para verificar uma possível ligação com o episódio. Empresas foram multadas em R$ 70 milhões Praia de São Tomé de Paripe, no subúrbio de Salvador, deserta. Maurício Reis/g1 BA Em junho, o Inema aplicou multas às duas empresas investigadas por danos ambientais na região: Intermarítima: multa de R$ 20 milhões; Gerdau: multa de R$ 50 milhões. Segundo o órgão ambiental, as empresas contribuíram para o cenário de contaminação, relacionado às atividades de estocagem e movimentação de granéis sólidos no terminal. Em agosto, a Justiça Federal da Bahia também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 387,6 milhões em bens das empresas investigadas. No mesmo mês, a Prefeitura de Salvador prorrogou por mais 90 dias a situação de emergência na praia. A decisão considerou a permanência dos impactos sociais e ambientais provocados pelas substâncias químicas. Outro ponto de conflito é a responsabilidade pelos danos. As empresas discutem entre si quem deve responder pela contaminação, enquanto moradores aguardam medidas de reparação coletiva. Um pescador da região conseguiu uma decisão judicial liminar que determinou o pagamento de R$ 2 mil mensais pela Intermarítima como auxílio financeiro, diante da impossibilidade de exercer sua atividade. O que diz a Gerdau Em nota, a Gerdau informou que continua em diálogo com autoridades e órgãos competentes para construir uma solução social e técnico-ambiental para a região. A empresa também afirmou que pretende contribuir para encontrar soluções que amparem a população local e restabeleçam a normalidade o mais rápido possível. LEIA TAMBÉM: Laudo preliminar do Inema indica presença de Cobre e Nitrato em praia de Salvador Inema interdita atividades de empresa após praia ser contaminada com Nitrato e Cobre em Salvador Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

FONTE: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/11/03/moradores-de-sao-tome-de-paripe-protestam-contra-falta-de-indenizacoes-apos-contaminacao-de-praia.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Anunciantes